| |
|
|
| 05:56pm 29/06/2005 |
| |
Fazem dois milhões de anos que ninguém (leia-se caio_maximino) posta aqui. Algumas notícias são bastante preementes e devem ser relatadas, entretanto. Primeiro, as boas: saiu a grana do CNPq. A parte ruim disso é que agora temos prazos pra terminar os experimentos =) O Amauri deve ir embora (isso é ruim pra gente, mas muito esquema pra ele), prestará concurso pra professor de farmaco em Belém. Todo mundo acha que ele vai passar, eu também. Essa é semana de Soraia. Amanhã, como é o último dia dela aqui, é dia de beber. |
|
| |
|
Post |
| |
| FeSBE |
|
|
| 01:35am 15/03/2005 |
| |
mood:  worried music: The (International) Noise Conspiracy - Enslavement Blues
|
Bem. Grande correria pra FeSBE. Variáveis a serem analisadas no experimento dos Bettas são: freqüência de respostas do etograma completo (análise molecular), cruzadas com posição e movimentação nos aquários (análise molar), de forma a criar clusters de comportamentos ofensivos e defensivos; número de cruzamentos, como medida de ansiedade; tempo de display e latência para o primeiro display. Análises estatísticas serão análise de cluster, para definição das classes de comportamentos; testes t e ANOVAs sobre as classes, para definir o efeito da depuração da dose de MeHg testada; e ANOVAs e testes t sobre os valores vicentizados de latência para o primeiro display. Dado que os dados estão com muito ruído (interferência ambiental desnecessária, daí a proposta do Rangel em criar um grupo para estudar metodologia experimental), essas medidas deverão passar por um bootstrap. É uma quantidade bastante grande de trabalho, dado que as transcrições ainda não estão terminadas; talvez seja trabalho demais para uma comunicação preliminar, mas eu ando workaholic, pra variar. As a side note, eu entrei no projeto da Fernanda, analisando o efeito do MeHg sobre a eletrorrecepção no Gymnotus sp.. |
|
| |
|
Post |
| |
| Correrias (x-posted in personal journal) |
|
|
| 11:55am 07/03/2005 |
| |
Hokay, a volta às aulas está sendo uma correria (ainda que as minhas aulas não tenham começado de fato...). A semana passada foi foda, por causa do prazo de entrega dos resumos da FesBE. Terminamos de transcrever os dados de etograma dos Bettas, mas ainda faltam as medidas de posição, número de cruzamentos, tempo e latência de display. Os dados estão muito sujos, então talvez seja necessário rodar um re-sampleamento bootstrap, para garantir a fidelidade |
|
| |
|
Post |
| |
| |
|
|
| 11:57pm 18/02/2005 |
| |
Férias... long time, no see the fucking lab people. Escrevendo artigos de revisão... |
|
| |
|
Post |
| |
| |
|
|
| 03:15pm 18/01/2005 |
| |
mood:  manic-sleepy music: Guns of Brixton - Clash
|
Uma revisão de Aschner et. al. postula que a astroglia têm um papel central na excitotoxicidade induzida pelo metil-mercúrio. O artigo aponta para cinco fatos para sustentar a hipótese: (1) o MeHg acumula-se preferencialmente nos astrócitos; (2) o MeHg inibe especificamente a retomada do glutamato dos astrócitos; (3) a disfunção neuronal causada pelo MeHg parece ser secundária à disfunção dos astrócitos; (4) a aplicação conjunta de MeHg em concentrações não-tóxicas e do glutamato leva ao aparecimento das lesões neuronais típicas da estimulação excitotóxica; e (5) o MeHg induz ao inchaço dos astrócitos. A alta reatividade do metil-mercúrio aos tióis (formas aniônicas dos grupos -SH) têm sido sugerida como base para os efeitos neurotóxicos da substância. Em termos de neurotoxicidade, há uma clara seletividade por tipos de células e estruturas cerebrais específicas; essa relação ainda não foi completamente explicada. Os principais mecanismos envolvidos no dano neuronal e glial do metil-mercúrio são a inibição de síntese protéica, a alteração dos microtúbulos e o aumento do Ca2+ intracelular, com a conseqüente alteração no funcionamento de neurotransmissores, estresse oxidativo e o disparo de mecanismos de excitotoxicidade. A intoxicação organomercurial terá conseqüências variáveis, dependendo da organela afetada. Membranas celulares intoxicadas levam a um aumento nos níveis de Ca2+, com a alteração subsequente da neurotransmissão; mitocôndrias afetadas levam a um aumento no stress oxidativo, levando a dano excitotóxico e a uma diminuição de mecanismos neuroprotetores; a inibição de mecanismos de montagem de microtúbulos levam à inibição da divisão e migração celular. Esses efeitos são mais danosos durante o desenvolvimento do sistema nervoso central, levando a alterações na estrutura e funcionamento deste (Sanfeliu et al., 2003). A sensibilidade aos compostos orgânicos do mercúrio difere em função do tipo de célula nervosa que se estuda. Estudos in vitro têm permitido uma melhor caracterização dos efeitos neurotóxicos desses compostos. Sanfeliu et. al e Gassó et. al. afirmam que neurônios corticais cerebrais maduros são menos sensitivos do que células granulares do cerebelo em relação à exposição in vitro ao MeHG, e que os astrócitos são menos sensíveis do que os neurônios ao mesmo procedimento. Aschner et. al., entretanto, afirmam que, após exposição in vivo crônica em humanos e primatas, o MeHg acumula-se principalmente em astrócitos e, em menor extensão, na microglia. Os dados de Brookes (1992) apontam para a probabilidade de, na ausência do glutamato astrocital, não ocorrer dano aos neurônios a partir da intoxicação por metil-mercúrio, apontando para uma maior importância dos astrócitos no processo. Neurônios imaturos demonstram sensibilidade maior do que os neurônios maduros à exposição in vitro ao MeHg, e a relação de diferença de sensibilidade entre neurônios corticais e células cerebelares é inversa àquela observada em células maduras (Mundy e Frendenrich, 2000). A neurotoxicidade do MeHg também ocorre com concentrações que não são suficientes para causar morte celular, causando efeitos neurocomportamentais igualmente deletérios. Estudos neurotoxicológicos de intoxicação sistêmica em diversas espécies de animais foram conduzidos, incluindo aqui macacos, ratos, peixes e humanos. Existem algumas diferenças dos resultados em relação aos estudos em humanos; é possível que essas diferenças sejam mediadas em parte por uma toxicocinética espécie-específica do MeHg. A destruição seletiva de células granulares cerebelares no rato apresenta um padrão semelhante àquele encontrado em seres humanos, onde se observa uma relativa preservação das células de Purkinje adjacentes. Em humanos, observa-se atrofia focal no cerebelo e no fissura calcarina do lobo occipital, com alterações menos severas nos córtices pré-central, pós-central e temporal. As áreas danificadas também apresentam proliferação glial e uma marcante demielinização hemisférica. Em ratos, não observa-se a degeneração do córtex calcarino, enquanto os neurônios sensoriais dos gânglios de base são mais sensíveis à toxicidade do metil-mercúrio. Em macacos, o metil-mercúrio também acumula-se na retina e induz alterações seletivas. Chang (1977) postula que a camada granular do cerebelo é considerada um dos principais alvos da ação dos compostos organomercuriais em animais adultos. Estudos de teratologia neurocomportamental revelam diversas anormalidades no sistema nervoso em desenvolvimento, que vão de defeitos crassos de desenvolvimento de órgãos até sutis alterações de tecidos. As áreas afetadas que têm sido relatadas na literatura são o neocórtex, o neostriatum, tálamos, gânglios de base, sistema límbico, cerebelo, tronco cerebral e gânglios espinais.
Aschner M, Yaoa CP, Allena JW, Tanc KH (2000). Methylmercury alters glutamate transport in astrocytes. Neurochemistry International 27 (2-3), 199-206. Brookes N (1992). In vitro evidence for the role of glutamate in the CNS toxicity of mercury. Toxicology 76, 245-256. Chang LW (1977). Neurotoxic effects of mercury - a review. Environ. Res., 14, 329-373. Gassó S, Cristòfol R, Selem G, Rosa R, Rodríguez-Farré E, Sanfeliu C (2001). Antioxidant compounds and Ca2+ pathway blockers differentially protect against methylmercury and mercuric chloride neurotoxicity. J. Neurosci. Res. 66, 135-45 Hughes WH (1957). A psychochemical rationale for the biological activity of mercury and its compounds. An. NY Acad. Sci. 65, 454-460. Mundy WR, Freudenrich TM (2000). Sensitivity of immature neurons in culture to metal-induced changes in reactive oxygen species and intracellular free calcium. Neurotoxicology 21, 1135-1144. Sanfeliu C, Sebastià J, Kim SU (2001). Methylmercury neurotoxicity in cultues of human neurons, astrocytes, neuroblastoma cells. Neurotoxicology 22, 317-327. Sanfeliu C, Sebastià J, Cristòfol R, Rodriguez-Farré E (2003). Neurotoxicity of organomercurial compounds. Neurotoxicity Research, Vol. 5 (4), 283-306. |
|
| |
|
Post |
| |
| Ehhhhhhhhheee |
|
|
| 04:01pm 25/10/2004 |
| |
Agora consegui entrar nesta porra. o que alguns minutos de atenção não fazem!! |
|
| |
|
Read 1 - Post |
| |
| |
|
|
| 06:19pm 13/10/2004 |
| |
mood:  sleepy
|
Hoje, intoxicamos as traíras por via intraperitonial. Doses: 6 sujeitos 0,01 microgramas/g 2 sujeitos 0,1 microgramas/g 2 sujeitos 1,0 microgramas/g 2 sujeitos 0 microgramas/g (solução salina - grupo controle)
Procedimento: As doses foram preparadas a partir de uma solução-mãe de 100 mg/l, e dissolvidas em quantidades diferentes de água de forma a alterar a concentração. As traíras foram anestesiadas, pesadas e intoxicadas por injeção de solução por via intraperitonial. |
|
| |
|
Post |
| |
| Conspiração |
|
|
| 04:06pm 08/10/2004 |
| |
mood:  crazy
|
Parece que há uma conspiração envolvendo a pesquisa aqui no laboratório. Primeiro, as artêmias que estavam sendo contaminadas misteriosamente desitrataram. Então, o programa EthoLog, utilizado na transcrição dos dados, deu pau. Acreditamos que um espião adentrou o laboratório durante a madrugada, inoculando o preparado com as artêmias com uma substância secreta desidratadora de artêmias. Um hacker contratado por ELES crackeou o nosso computador, alterando as configurações do EthoLog. Fontes seguras nos garantem que um sistema de inteligência artificial fora de controle está seqüestrando pessoas, para que possa dominar o mundo, colocando-as em uma simulação de computador onde possam cooptar os membros do Laboratório de Psicobiologia para que se liguem a uma base secreta d´ELES, que supostamente se encontra precisamente abaixo do lab. A potência mental assim produzida pelos pensadores cativos irá permitir aos conspiradores que controlam a indústria do mercúrio, em conjunto com o sistema de inteligência artificial, controlar Monica Lewinsky, de forma a criar um estado de confusão mental que irá permitir a entrada de Azatoth nessa realidade. INFORMAÇÕES DE ÚLTIMA HORA A morte súbita de diversos lambaris, que seriam dados como alimento para as traíras, sugere que elas tenham sido infectadas com algum tipo de doença alienígena bizarra. De fato, as previsões de Nostradamus claramente indicam que Slobodan Milosevic está tentando esconder evidências de contato com alienígenas. No trecho em que ele afirma 'o rato no laboratório de psicobiologia irá se retrair / o rugio de um leão é como poeira', quer dizer que Tony Blair está ameaçando precisamente as nossas traíras. O leão é a SAS, que têm tentado proteger os nossos lambaris de Slobodan Milosevic, sem muito sucesso, ao que parece. Ou isso, ou a gente é cagado mesmo. |
|
| |
|
Read 1 - Post |
| |
| |
|
|
| 03:44pm 27/09/2004 |
| |
Novidades no front: após o pequeno período de recesso escolar, o laboratório volta com força total (bem, quase...). Intoxicaremos mais artêmias ainda hoje, por via hídrica, novamente com a dose de 0,2 microgramas/grama de peixe. Isso incluirá mais quatro sujeitos ao grupo de intoxicação aguda. A Cynthia largou o emprego, o que provavelmente vai agilizar o processo de transcrição de dados. Além disso, chegaram as traíras (finalmente!), e surgiu a possibilidade de rodarmos também um experimento com lambaris (novamente, etograma agonístico). Os lambaris também serão usados de alimento para as traíras, configurando um grupo de intoxicação por via trófica. As traíras terão a sua eficácia alimentar testada. Iremos redigir dois artigos de revisão, um sobre neuromodulação alostérica do receptor GABA(A) por esteróides neuroativos e outro sobre efeitos comportamentais da intoxicação por metil-mercúrio. Agora, caia fora (como eu adoro Warren Ellis). |
|
| |
|
Post |
| |
| Camarão: Comportamento Agonistico |
|
|
| 07:08pm 03/09/2004 |
| |
|
music: Motorhead - Orgasmatron
|
Objetivo: Investigar o comportamento agonístico do Macrobachium amazonicus entre os quatro morfotipos (intra e inter morfotipos).
Andamento: - Dados já coletados e transcritos. - Trabalho de escrever o artigo sendo dividido. - Fazendo os calculos estatísticos. |
|
| |
|
Read 1 - Post |
| |
| News Flash |
|
|
| 02:19pm 24/08/2004 |
| |
mood:  geeky
|
Eu acabo de entrar na lista do projeto OpenEEG. Espero que preste pra alguma coisa. Talvez eu possa pedir ajuda pra alguns companheiros e tentar montar uma máquina... *** Quanto aos experimentos com os bettas: terminamos de rodar as sessões (com depuração de 24, 36 e 48 horas) com o grupo de intoxicação aguda (0,4 microgramas/grama do sujeito). Essas sessões foram filmadas, e deverão ser transcritas quando tivermos tempo (o que está meio complicado, já que não chegamos nem à metade da transcrição das fitas do grupo controle...). A alteração comportamental me parece bem clara, com os sujeitos agindo com comportamentos de ataque nas depurações iniciais e de defesa nas depurações finais. O sujeito 1a estava bastante afetado, sem reação em quase nenhum momento (com exceção dos eventuais displays). Ele morreu hoje. Sua morte não será em vão =) *** Alguns dos membros desse laboratório, inclusive o nosso orientador, estão na FeSBE. Não pude ir, por falta de dinheiros. Bosta. *** Meu interesse em neurociência visual só cresceu depois de ler esse artigo:
Amplification of Trial-to-Trial Response Variability by Neurons in Visual Cortex Matteo Carandini A simple model accounts for the high variability of firing rates observed in responses of cortical neurons to visual stimuli. Synopsis: http://dx.doi.org/10.1371/journal.pbio.0020314 Full-text: http://dx.doi.org/10.1371/journal.pbio.0020264 Print PDF (4609K): http://www.plosbiology.org/archive/1545-7885/2/9/pdf/10.1371_journal.pbio.0020264-p-L.pdf Screen PDF (481K): http://www.plosbiology.org/archive/1545-7885/2/9/pdf/10.1371_journal.pbio.0020264-p-S.pdf |
|
| |
|
Post |
| |
| |
|
|
| 10:17am 10/08/2004 |
| |
Hoje, alimentamos os bettas com as artêmias contaminadas, na razão de 0,2 g de artêmia por g do sujeito. É um processo delicado, já que o metilHg é um composto organomercurial de alta toxicidade e degradação lenta. Toda a manipulaçõ deve ser feita dentro de uma capela, com duas luvas de látex sobrepostas (uma não é suficiente, já que o metilHg atravessa a película). Após a administração, o material foi acidificado (com ácido sulfúrico absoluto pa), de forma a desmetilar o metilHg e precipitar o Hg. A água acidificada, carregando as partículas de Hg, foi descartada, e o material está imerso em água. Agora, faremos um registro da quantidade de alimento ingerido pelos sujeitos, de forma a determinar o seu grau de intoxicação. O sujeito III parece estar "ignorando" as artêmias. Na quinta-feira, começamos a observação do etograma agonístico (display de agressividade) desse grupo, a partir de agora batizado como "grupo intoxicação aguda". Se não for detectada alteração no display, nova dose será administrada (cara, que frase mais Yoda...). |
|
| |
|
Post |
| |
| Análise de seqüências intra-individuais: Cadeias de Markov (retirado de Lehner, 2000) |
|
|
| 10:16am 10/08/2004 |
| |
Uma forma simples de análise é medir as freqüências ou probabilidades condicionais associadas com dois ou mais comportamentos. Se a probabilidade condicional de A ser seguido de B é 100%, então trata-se de uma seqüência determinística. Isso é raro quando se observa comportamento. Mais freqüentemente, A é seguido de B em algum nível de probabilidade mnor do que 100%. A isso chamamos de seqüência probabilística (ou seqüência estocástica). Gráficos cinemáticos podem ser gerados, demonstrando as probabilidades condicionais de diversos comportamentos diferentes. Esse é um procedimento útil quando os efeitos sequenciais são fortes. Existem diversas explicações do porquê de um comportamento ser seguido de outro. Outro fator é a freqüência relativa com a qual determinados comportamentos ocorrem no repertório do animal. Quanto mais freqüentes são os dois comportamentos, maior a probabilidade de que ocorram juntos. Um exemplo extremo disso é um animal hipotético que só é capaz de dois comportamentos, A e B. Apenas as quatro seqüências abaixo são possíveis: 1 A ---> A 2 A ---> B 3 B ---> B 4 B --->A A freqüência de ocorrência dessas seqüências é determinada não somente pelo tamanho do repertório, mas também por combinações impossíveis e pelos critérios do observador para determinar o início e o final da seqüência. Também é comumente difícil determinar se um comportamento foi repetido (A ---> A) ou tratava-se simplesmente de uma ocorrência única (A).
Cadeias de Markov As seqüências discutidas acima consideravam somente transições simples de um comportamento a outro. Refere-se a elas como díades. Seqüências de nível mais alto são mostradas abaixo: Díade A ---> B Tríade A ---> B ---> C Tétrade A ---> B ---> C ---> D Cadeias de Markov são seqüências de comportamento nas quais pode ser demonstrado que a transição entre dois ou mais dos comportamentos depende dos outros em algum nível de probabilidade maior do que o acaso; ainda, assume-se que o nível de probabilidade seja estacionário (ver abaixo). A análise de cadeias de Markov deve levar em conta a freqüência esperada de ocorrência das seqüências baseada na freqüência de ocorrências no repertório. Ashby (1963: 165-166) nos proveu com o seguinte exemplo ilustrativo da aplicação de cadeias de Markov:
Suponha que um inseto viva dentro e ao redor de uma poça rasa - algumas vezes dentro da água (W), algumas vezes sob pedregulhos (P), e algumas vezes no banco de areia (B). Suponha que, a cada unidade de intervalo de tempo, há uma probabilidade constante de que, estando sob um pedregulho, ele irá subir até o banco; e similares para outras transições possíveis (Podemos assumir, se desejado, que o seu comportamento real em cada instante é determinado por pequenos detalhes e eventos em seu ambiente). Assim, um protocolo de suas posições pode indicar: W B W B W P W B W B W P W B B W B W P W B W P W B W B W B B W B W B W B W P P W P W B W B B B W Suponha, pela definição, que as probabilidades da transição são como as demonstradas abaixo:
B W P -------------------- B | 1/4 3/4 1/8 W | 3/4 0 3/4 P | 0 1/4 1/8
Essas probabilidades seriam encontradas ... observando-se o comportamento do animal por longos períodos de tempo, encontrando a freqüência de, por exemplo, B ---> W, e então encontrando-se as freqüências relativas, que são as probabilidades. Tal tabela seria, em essência, um resumo do comportamento passado real, extraído do protocolo.
Note que normalmente refere-se às cadeias de Markov em termos de "ordens" ao invés de díades, tríades, etc.:
|
| Ordem da cadeia de Markov | Definição |
|
| "ordem zero" (A, B, C) | Os sistemas comportamentais são independentes |
| primeira ordem (B ---> C) | A probabilidade de ocorrência de um comportamento particular é dependente somente do comportamento imediatamente precedente |
| segunda ordem (A ---> B ---> C) | A probabilidade de ocorrência de um comportamento particular é dependente dos dois comportamentos imediatamente precedentes |
| enésima ordem (... X ---> Y ---> Z) | A probabilidade de ocorrência de um comportamento particular é dependente dos 'n' comportamentos imediatamente precedentes |
|
O que constitui um amostra de tamanho suficiente para analisar cadeias de Markov? Fagen e Young (1978) criaram a seguinte "regra de ouro" (baseada em simulações feitas por Fagen) para análises de cadeias de Markov de primeira ordem: Para:
R=número de comportamentos individuais para os quais as seqüências serão medidas Temos:
2R^2: amostra insuficiente
5R^2: amostra marginalmente suficiente
10R^2: amostra suficiente
Matrizes de transição Cadeias de Markov geralmente são analisadas através do uso de uma matriz de transição e comparação a um modelo aleatório. O modelo aleatório é um modelo que gera freqüências esperadas baseado no número observado de ocorrências. Deve-se notar que a matriz de transição não é uma tabela de contingência, já que os eventos inclusos não são independentes uns dos outros. (...) A matriz de freqüências observadas pode inicialmente ser inspecionada à procura de células que mostram grandes freqüências. (...)
Qui-quadrado Depois de examinar a matriz de transição de freqüências observadas procurando-se grandes diferenças entre células, a matriz de freqüências esperadas é construída calculando-se a freqüência esperada para cada célula de acordo com a fórmula:
freqüência esperada = (total das linhas * total das colunas) / total geral As células individuais em ambas as tabelas agora podem ser escrutinadas, procurando-se aquelas onde a freqüência observada é muito maior ou menor do que a freqüência esperada. (...) Isso provê-nos de uma primeira aproximação aos dados. O pesquisador pode então proceder com um teste de qui-quadrado para a matriz inteira (ex., Lemon e Chatfield 1971), segmentos da matrz (ex. Dawkins e Dawkins 1976), ou reduzi-la às suas células mais importantes (ex., matriz 2x2) e conduzir um teste de qui-quadrado (ex. Stokes 1962). Algumas matrizes de transição irão conter seqüências de somente dois comportamentos por onde começar (ex Fincke 1985). Quando conduzir um teste de qui-quadrado, se qualquer uma das freqüências esperadas for muito pequena (=<5), o tamanho da amostra pode ser muito pequeno para um teste válido. Bakeman e Gottman (1986) desenvolveram uma fórmula para calcular o tamano da amostra baseado em freqüências esperadas; sua fórmula foi derivada de um cálculo sugerido por Siegel (1956). O número mínimo de seqüências que precisam ser registradas (Ns) é determinado por:
Ns=9/P(1-P) onde:
P=probabilidade esperada da seqüência menos freqüente
Phi de Cramer Outra medida conveniente de associação entre as células de uma matriz de qualquer tamanho é o phi de Cramer. Ele converte o qui-quadrado em um coeficiente que varia entre - e 1 e é calculado como se segue:
phi(c)=sqrt[(x^2/N)] onde N=tamanho da amostra O valor de phi nem sempre reflete um grau muito grande de associação. Estacionariedade (a probabiliade de um comportamento seguir outro não muda como tempo) é assumida na análise de matrizes de transição; no entanto, nós sabemos que a estacionariedade é rara no comportamento de um animal em função do tempo. Por exemplo, ciclos diários (ritmos circadianos) provavelmente causarão alterações nos dados; isso é, a freqüência de ocorrência da maioria dos comportamentos provavelmente não será estável com a passagem do dia. Fonte: Lehner PN (2000). Handbook of Ethological Methods. Cambridge: Cambridge University Press. 2a edição, 1a reimpressão. |
|
| |
|
Read 1 - Post |
| |
| Dados da intoxicação: Betta splendens |
|
|
| 10:27am 09/08/2004 |
| |
|
music: Renato Teixeira, Pena Brance & Xavantinho - Raízes
|
Fase 1: Pesagem dos betta splendens Grupo Intoxicação Aguda -Sujeito 1A: 2,5 g -Sujeito 2A: 1,8 g -Sujeito 4A: 2,2 g (O sujeito 3A foi retirado para reprodução) Fase 2: Estabelecimento da quantidade de artêmias salinas e da dose de intoxicação aguda 32 microgramas de MeHg/500 ml, a serem dissolvidos na água salina (2 g de sal/500 ml de água). Serão colocadas 1,4 g de artêmia (a serem administradas na razão de 0,2 g de artêmia/g de peixe). A terceira fase, intoxicação por via trófica, será feita 24 horas após a intoxicação das artêmias. |
|
| |
|
Post |
| |
| |
|
|
| 09:01am 09/08/2004 |
| |
 |
|
| |
|
Post |
| |
| Análise seqüencial do grupo-controle |
|
|
| 09:30am 06/08/2004 |
| |
mood:  blah music: Migala - El Pasado Diciembre
|
Ontem, eu comecei, com a ajuda da minha namorada, a transcrição da fita do grupo-controle dos bettas (esse grupo, originalmente, seria contaminado; dessa forma, tratava-se inicialmente de uma linha de base, mas o frio matou todos os sujeitos. P/ aproveitar o registro, decidimos mudar o delineamento do experimento, transformando-o em grupo-controle, e criando um grupo de intoxicação aguda e um grupo de intoxicação crônica). Ela me ditou os comportamentos do sujeito 1c (controle 1) na interação agonística com o sujeito 2c (controle 2), que foram registrados no EthoLog. O programa gerou um log com a distribuição temporal dos comportamentos, e uma matriz de análise sequencial foi gerada depois. Essa matriz irá passar por um teste de chi-quadrado, de forma a determinar seqüências comportamentais intra-individuais que sejam estatisticamente significantes. O mesmo será feito com os outros sujeitos. Uma análise da preferência espacial do sujeito também foi feita, utilizando-se de um filme plástico grudado à tela da televisão, onde foram determinados quatro quadrantes (1: superior esquerdo; 2: superior direito; 3: inferior esquerdo; 4: inferior direito); a distribuição temporal desses dados será cruzada com o registro dos comportamentos, produzindo assim um "vetor" com informações espaciais, temporais e quantitativas. Dessa forma, esperamos poder classificar os comportamentos do display em duas classes abrangentes, ataque e defesa. O próximo passo será desenvolver uma matriz sociométrica da interação. Ainda não sei como fazer isso, além do trabalho braçal clássico. Talvez exista uma outra forma de fazê-lo. Sugestões podem ser enviadas para xmontyxcantsinx NO yahoo.com.br. Cruzando os dados da análise seqüencial individual e da matriz sociométrica, pretendo encontrar uma definição das estratégias comportamentais adotadas em cada situação. Mas vai dar um trampo infernal... |
|
| |
|
Read 1 - Post |
| |
| News update from the laboratory |
|
|
| 09:33am 02/08/2004 |
| |
mood:  exhausted music: "Stereotypes", Blur
|
A quem interessar possa: Rodrigo Valenzuela Reyes conserta Caixas de Skinner
Iniciando novos projetos...
- projeto pessoal: tradução do manual do R para psicologia experimental (Notes on the use of R for psychology experiments and questionnaires). A idéia, fundamentalmente, é disponibilizar em português um manual introdutório para essa linguagem open source de programação estatística, tão pouco difundida no país - especialmente entre os psicólogos, esses seres que temem matemática como a peste. A tradução foi aprovada pelo autor exatamente agora (16:59).
- tradução de alguns diffs do debian-br...
- projeto em dupra: FUDGE Psychopatology, um sistema de psicopatologia para o sistema de RPG FUDGE; participantes: eu e Daniel Kenji Nagamine. A idéia surgiu do nosso descontentamento com os emuladores de psicopatologia nos jogos de RPG em geral (em especial os "proprietários =]), refletindo a falta de pesquisa e conhecimento feita pelos game-designers. A idéia inicial é fazer um levantamento dos sistemas psicopatológicos nos role-playing games mais conhecidos, e então montar um sistema baseado em "pacotes" de sintomas, facilitando o uso conjunto do DSM-IV e do CID-10.
- projeto em grupo: recriar e remontar a "shuttle-box" aqui do laboratório (participantes: Rodrigo Valenzuela Reyes, Mobi Yabiku Neto, eu, Guilherme Chirinea e Carol. O projeto envolve a reformulação do circuito digital da shuttle, que é uma porcaria, e reescrever o software (se possível, lançado pela GPL), que é outra porcaria. Mais informações depois.
****
Com a volta das aulas aqui na UNESP, eu tô fudido... arranjei um monte de coisa pra fazer... mas isso não interessa, esse blog não é meu... |
|
| |
|
Post |
| |
|
|
|